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Segunda-feira, 12 de Novembro de 2007

DESORDEM DO DIA

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No debate parlamentar de terça, José Sócrates podia ter seguido uma de duas vias: ou tratar o cidadão Pedro Santana Lopes institucional e abstratamente, como o líder parlamentar do maior partido da oposição, ou então chamá-lo pelo nome. Optou pela segunda - e ganhou a aposta. Sim, foi opção arriscada. Sublinhar a vermelho os parágrafos da biografia política do adversário, mesmo os negativos, é dar-lhe importância. É reconhecer-lhe existência de peso. É atribuir-lhe um papel relevante. E o primeiro-ministro, pelo posição que ocupa, pode dar-se ao luxo de fingir ignorar a vidinha de quem tem à frente. Tal e qual um actor pode ser blasé ao ponto de não olhar de frente o jornalista que lhe coloca as perguntas na conferência de imprensa. José Sócrates partiu logo para a pancada. Digamos que deu forte e feito no lombo de Santana. Aliás, lembrando outra agressão da semana, ao pé da entrada de Sócrates sobre Santana a entrada de Binya sobre o escocês Scott Brown foi uma brincadeirola de recreio.

 

Defesa dos mirones

 

 

Esta semana fomos todos mirones. Mirones de um desastre de autocarro que abrandou a marcha do país. Nesse gesto de olhar o desastre alheio, pusemo-nos todos a jeito. Não há seres mais mal-amados do que os mirones. Toda a gente se queixa daqueles que abrandam a marcha só para ver os destroços espalhados no pavimento depois de um desastre, como se toda a gente fosse superior a isso. O problema é que, quando há um desastre, o trânsito abranda sempre. Ou seja: "toda a gente" é apenas uma forma de expressão. Venho aqui fazer a defesa do mirone. Calma. Não desliguem já. Simpatizo com o mirone porque simpatizo com o humano. Porque não há nada de mais humano do que espreitar as feridas dos outros. O mirone pode julgar-se um deus protegido nesse gesto de olhar, mas, na verdade, é mais uma das vítima do que está a ver. Isso: o mirone faz parte do acidente. É o destroço intacto do carro que se despenhou.

 

A greve da escrita

 

O audiovisual americano está em pânico. Porquê? Porque não há publicidade que chege? Não. Porque os guionistas estão em greve. Sempre achei - até por praticar o ofício - que os guionistas são uma espécie de dadores anónimos, com deveres vários e quase nenhum direito. Com os guionistas acontece isto: quando o programa de televisão corre bem, são esquecidos, como uns parentes afastados e que não convém nomear em público. Quando o programa é um desastre, são sempre os culpados." Isto não funciona porque o texto é mau". Agora, há um greve da classe. É como se a mal tratada mulher do senhor do Armindo resolvesse deixar de fazer o jantar. A ver o senhor Armindo começa finalmente a dar-lhe valor e a acarinhá-la . E a verdade, verdadinha é que, neste momento, a indústria do entrenimento está a passar fome.

 

Quarto das arrumações

 

 

A nós, não nos acontece nada. Melhor: a nós nunca vai acontecer nada. Estamos protegidos pela nossa pequenez e insignificância. Quem é que iria querer atacar um sítio tão frágil e sem dimensão internacional nenhuma? Pois, pois, pois, a conversa de sempre, no tom de sempre, com a displicência de sempre. Mas, espera aí, afinal já nos vai acontecendo alguma coisa. Esta semana foi detido no país um suspeito de terrorismo internacional. Espera aí: já há um tempo que se levanta a hipótese da passagem de terroristas por território luso. Espera aí: diz-se, em certos círculos, que a ETA tem cá bases logísticas. Ok. Ainda não fomos palco de explosões sem rosto. Mas daqui a nada Portugal ainda vai ser conhecido mundialmente como a despensa do terrorismo.

 

Os extremos de Nery

 

Na arte e na vida gosto de ver os extremos lado a lado. Agrada-me a fusão entre o sublime e o quotidiano. Entre o amor e a ida à farmácia. Entre o sexo e o parquímetro. Entre a morte e a conta da TV-Cabo. Acho que a vida se situa algures no meio dessas duas aparentes extremidades. E é bom que a arte não fuja muito à circunstância. Os deuses também espirram - e é preciso que se fale disso nos livros, nos filmes, nas exposições, nas performances. Na sua mais recente exposição, o artista maior Eduardo Nery, há muito habituado a este tipo de jogo de aproximações, resolveu encurtar a distância entre mundos. O delicioso resultado da subversão está exposto na Fundação Medeiros e Almeida. A morte de Adónis, quadro do século XVIII, visitado pelo rosto nada sublime de Frankenstein. Uma nobre sala de jantar visitada pela figura do Pateta - que serve, alegremente, canecas de cerveja. Um relógio antigo a servir de máscara a uma bela mulher. De tudo isto se faz o último fôlego criativo de Eduardo Nery. Para sentir, matutar, divertir e delirar.

 

(crónicas do "Janela Aberta", programa de Célia Bernardo, no Rádio Clube)

publicado por Nuno Costa Santos às 11:54
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