. Espécie de Kipling de Set...
. Espera aí que no fim do m...
. Medos
. Sacos

E se nos deixássemos de coisas e tentássemos dar uma volta a isto que temos sido e nem sempre é bom e recomendável? E se questionarmos aquela atitude tão latina do "sou como sou e é assim que devo fazer" e aquela história tão revista "Science" do não posso fazer nada porque a minha programação genética é esta? E se mandarmos abaixo três ou quatro preconceitos, como quem manda imperiais na tascarola ali de baixo? E se enterrássemos o cinismo que é tão fácil usar à lapela neste sítio internético que habitamos? E se começássemos a não ter medo de exibir crenças, por mais pequenas que sejam, por mais risíveis que possam parecer ao pátio da escola - cheínho de pequenas maldades e vontades de mandar abaixo - em que continuamos a mover-nos? E se perdemos por um instante a repulsa por termos antigos, mas cada vez mais urgentes, como disciplina, hábito e concentração? E se nos dermos a hipótese de lá mais para o fim do ano podermos, quem sabe, festejar?
Podia retomar o blogue elogiando "As Praias de Agnès", o melhor filme que vi nos últimos tempos (no seu suave equilíbrio entre nostagia e humor) - fazendo assim a ponte para o post que deixei aqui em Março de 2008. Mas faço-o dando as boas vindas a "Welcome", de Phillipe Lioret, um filme que também estaciona algumas vezes em extensos areais. O que é que me faz sublinhar "Welcome"? Não, não é o facto de ser muito mais do que uma mera adição de ingredientes (um bocadinho de amor, um bocadinho de violência, um bocadinho de bons diálogos). Não, não é a circunstância ser um filme económico e, mesmo assim, cheio de pormenores. É o facto de me ter (sim, eu sei que estou a arriscar) tocado.


O taxista ignorou as Shakiras e os Timberlakes (nem um serpentear de ombos nem nada) e abanou a cabeça como se não houvesse amanhã quando ouviu "Boys Don't Cry", pano de fundo de uma promo ao concerto dos Cure.

A minha imagem de marca é o saco de plástico. Se o Joe Berardo veste negras fatiotas e o Sartre fazia-se transportar de cachimbo lascivo-existencialista, eu trago um saquinho na mão. Tenho, por omissão lamentável, negligenciado o hábito nestes dias. Ontem voltei a ser o que era: cheguei à repartição com um gordo saco, afundado de jornais e papelada. O facto foi notado pelo funcionário que se senta ao meu lado. Escusava era de ter registado, em pose satírica, dois "novos" e "lamentáveis" sinais de cariz metrossexual: uma agenda moleskine e o último número da Time Out.