. Espera aí que no fim do m...
. Medos
. Sacos
Podia retomar o blogue elogiando "As Praias de Agnès", o melhor filme que vi nos últimos tempos (no seu suave equilíbrio entre nostagia e humor) - fazendo assim a ponte para o post que deixei aqui em Março de 2008. Mas faço-o dando as boas vindas a "Welcome", de Phillipe Lioret, um filme que também estaciona algumas vezes em extensos areais. O que é que me faz sublinhar "Welcome"? Não, não é o facto de ser muito mais do que uma mera adição de ingredientes (um bocadinho de amor, um bocadinho de violência, um bocadinho de bons diálogos). Não, não é a circunstância ser um filme económico e, mesmo assim, cheio de pormenores. É o facto de me ter (sim, eu sei que estou a arriscar) tocado.


O taxista ignorou as Shakiras e os Timberlakes (nem um serpentear de ombos nem nada) e abanou a cabeça como se não houvesse amanhã quando ouviu "Boys Don't Cry", pano de fundo de uma promo ao concerto dos Cure.

A minha imagem de marca é o saco de plástico. Se o Joe Berardo veste negras fatiotas e o Sartre fazia-se transportar de cachimbo lascivo-existencialista, eu trago um saquinho na mão. Tenho, por omissão lamentável, negligenciado o hábito nestes dias. Ontem voltei a ser o que era: cheguei à repartição com um gordo saco, afundado de jornais e papelada. O facto foi notado pelo funcionário que se senta ao meu lado. Escusava era de ter registado, em pose satírica, dois "novos" e "lamentáveis" sinais de cariz metrossexual: uma agenda moleskine e o último número da Time Out.

Acabou-se a era dos interrutores. Hoje, até na tasca mais ranhosa a luz acende-se sobre o cidadão quando este abre a porta da casa de banho. Digamos que é uma forma de estrelato menor mas não deixa de ser uma forma de estrelato.